Eu posso fazer isso

4–6 minutos

Há uma semana, assisti a um vídeo (abaixo) no Instagram que me trouxe uma sensação muito confortável no corpo. Era um vídeo da @jaciradoce, no qual ela conta como venceu o medo de dirigir e como isso mudou a sua vida.

Esse vídeo me fez lembrar que, vez ou outra, venho aqui falar sobre os meus medos dentro do Muay Thai.

A ideia de criar um blog nasceu justamente da vontade de lidar com isso e olhar para esses medos com mais autocompaixão.

Me lembro que criei o blog na semana da minha segunda graduação e, a pouco menos de um mês da próxima, percebo que esse sentimento ainda aparece — mas eu mudei muito, e me orgulho disso.

Vamos para o começo: meus primeiros medos

O fato de ter começado no Muay Thai sem qualquer experiência prévia com lutas fez com que, a princípio, o medo não fosse um problema para mim. Mas, à medida que fui avançando nos treinos, estudando, pesquisando e assistindo a lutas, comecei a perceber melhor onde estava me metendo. Felizmente, gosto demais do Muay Thai para desistir tão fácil. Então, continuei.

Com o tempo, meus receios passaram a ser tanto físicos quanto mentais. Sentia medo de levar porrada, de quebrar algum osso, de sofrer uma lesão grave que me impedisse de treinar ou que me aposentasse precocemente da minha breve carreira como praticante. Também tinha receio de não ser visto como um bom lutador por não conseguir dar chutes altos, por conta dos meus problemas de mobilidade.

Além disso, havia também o medo de não performar bem, de ser o pior da equipe, de não dar conta do exame de graduação, de não ser bom o bastante nisso, de me sentir sempre deslocado, de não ser relevante para a equipe, de não ser levado a sério pelos meus professores.

No vídeo citado no início, me chamou atenção quando a Jacira diz que achava que carro não era para ela, ou que simplesmente não se via dirigindo. Não consigo explicar o quanto eu entendo o que ela quis dizer.

Há algumas semanas, li um recado que escrevi para mim mesmo na última folha do meu caderno de estudos sobre o Muay Thai:

“Você merece estar no lugar em que está.”

Eu realmente não faço ideia de quando ou por que escrevi aquilo, mas sei que era a minha forma de dizer que estou à altura do meu prajied — que conquistei com muito esforço — e que aquele lugar também me pertence.

Eu posso fazer isso

Certa vez, numa conversa informal com meu professor após o treino, ele me perguntou, como quem não quer nada — e provavelmente não querendo nada mesmo — se eu gostaria de, um dia, num futuro distante, quem sabe em outra galáxia… participar de uma competição de Muay Thai. Respondi prontamente que não. Falei que nunca foi meu objetivo, que eu não poderia participar dos treinos de competição aos sábados — pois sou adventista. Mas aquela resposta me incomodou.

Passei algumas horas pensativo, reprisando meus próprios argumentos, como quem tenta convencer a si mesmo de que aquilo seria uma loucura. O desconforto persistia. Então decidi sentar e olhar para ele em meditação. No fundo, eu sabia: era o medo tentando me proteger de lugares e experiências novas. Por fim, mandei uma mensagem para o meu professor dizendo: “Agora não… mas um dia eu queria tentar.” Isso foi uma virada de chave para mim. Como disse a Jacira no vídeo: “Algo em mim mudou, algo em mim floresceu.”

Antes de mais nada, que fique bem claro: eu não penso em me tornar um atleta profissional ou amador de Muay Thai. Meus planos não são esses.

Mas também não permito que o medo decida por mim onde devo estar ou o que devo fazer. Não aceito que o medo responda por mim. Se, porventura, eu nunca subir num ringue para lutar numa competição, quero ter a certeza de que não foi por medo.

Eu respeito a existência desse sentimento, que é totalmente válido, mas não posso deixá-lo me paralisar.

Eu posso fazer isso. Tenho repetido esse mantra desde então, todas as vezes que me pego tentando me acomodar ou repetir padrões mentais de autossabotagem.

Se eu tive força suficiente para vencer esse medo, tenho certeza de que posso derrubar um cara num ringue.

No vídeo, a Jacira diz: “Eu não preciso ser uma grande motorista, eu só preciso ser uma motorista.” Da mesma forma, eu não pretendo ser um grande lutador ou um grande professor de Muay Thai — mas é sobre saber que posso contar comigo quando eu precisar.

Com certeza não será agora, mas quando acontecer, estarei pronto. No dia em que eu subir num ringue, lhe dou a plena certeza de que estarei dando tudo de mim. Apenas isso será suficiente. Não há garantias de que vou vencer. Nunca há. Mas ouvi certa vez uma frase que dizia:

“A aventura vale a pena por si só.”

Isto me basta.

Sawadee krap!

Deixa nos comentários como esse texto tocou em você e qual trecho mais te chamou atenção. Se possível, compartilha esse texto nas suas redes sociais ou grupos de mensagens. Vai me ajudar muito! Se te interessar, cadastra o seu e-mail no campo abaixo para receber notificação quando sair texto novo. Gratidão!

2 comentários

  1. Avatar de saladmindfullyc6c8cbd7dd saladmindfullyc6c8cbd7dd disse:

    Você é o melhor! ❤️

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Danilo Dias Danilo Dias disse:

      Aaaa💜 obrigado

      Curtir

Deixar mensagem para saladmindfullyc6c8cbd7dd Cancelar resposta